The Best Beatle Band of Bento City

Eu vi um beatle

Um dia direi aos meus filhos e netos. Eu vi um beatle de perto. A menos de 50 metros ali estava o meu maior ídolo da música. Eu era um dos 50 mil privilegiados de uma noite mágica em Porto Alegre. A partir desse apoteótico 7 de novembro de 2010, nunca mais serei a mesma pessoa. A brisa que esvoaçava os cabelos tingidos daquele senhorzinho, carregava também os melodiosos sons que massageavam nossos ouriçados ouvidos.
Era verdade. Sir Paul McCartney, 68 anos, estava ali na minha frente tocando e cantando com a mesma energia de quando os Bealtes eram ainda desconhecidos nas frias noites do Cavern Club. O velho Macca empunhava o seu baixo Hofner com a mesma vibração e cantava com o mesmo carisma de exatos 50 atrás quando os Beatles se apresentaram para alguns bêbados em um bordel de Hamburgo, na Alemanha. Eu estava diante de uma lenda viva. A diferença é que ali estava um músico ainda mais completo, um espírito evoluído, um ser humano humilde, um verdadeiro genlteman – parecia olhar no olho de cada um dos 50 mil no Beira-Rio. Soube cativar o público ao aderir aos riffs gaudérios “Ah, eu sou gaúcho” e ‘Tri legal”. Se identificou tanto com o nosso povo que no show seguinte nesta semana, saudou os argentinos em Buenos Aires: “Buenas Noches, Tchê!”.
Paul nada mais é que a extensão da sua música, simples e direta. Mostrou para o Brasil e ao mundo como um artista deve respeitar seu público. Começou o show com pontualidade inglesa, sem estrelismos como músicos decadentes como Axel Rose, onde fãs esperaram horas pelo início do show. Não fez exigências de astro, não trocou de roupa, não bebeu sequer um gole de água no palco em meio a execução das 36 músicas do set list. Tratou o público com respeito e o segurou da primeira música até o segundo bis, em quase três horas de show.
Até lição de moral deu. Umas das meninas que ganhou o autógrafo do beatle no braço recebeu vaias ao gritar ao microfone “Florianópolis”. Paul rebateu: “Qual é o problema, eu sou de Liverpool!” E tudo ficou bem.
Eu eu ali, absorvendo todas as impressões do tio Macca. As pernas nem sentiram o cansaço de quase dez horas de espera entre fila e meu lugarzinho no centro do gramado. Foi magnífico ver todas as gerações juntas, famílias inteiras assimilando a perfeição dos detalhes do show. A sua voz, amplificada e fiel, parecia intacta a ação do tempo. Foi só Paul emendar ‘All my loving’ para nos transportar para os anos 60.  Impossível segurar as lágrimas nas melódicas Let it Be, Something e Yesterday. Impossível não ficar em êxtase com os efeitos visuais e pirotecnias em ‘Live and Let Die’, sucesso de sua ex-banda Wings.
Saí dali de alma lavada, ainda não acreditando na experiência multisensorial que acabava de ter. Só quem esteve lá pode perceber a vibração energética, o clima de harmonia e camaradagem do estádio. O sentimento foi o mesmo para quem esteve lá na frente do palco e lá no fundo no lugar mais alto das arquibancadas. Coisas que só um beatle pode proporcionar.
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